Alguns motivos da alta são a diminuição da área de plantio e o encarecimento da saca

O quilo do feijão-carioca já custa R$ 11,90. Esse foi o preço que a empresária Cida Candido, viu em um supermercado nesta semana. “Genteeeeeeeeeee do céu… Se continuar assim vira artigo de luxo🤔” enfatizou ela em sua rede social.

Alguns motivos da alta são a diminuição da área de plantio e o encarecimento da saca devido à estiagem nas regiões Sul e Sudeste, que são as maiores produtoras. Na semana passada, a saca chegou a custar R$ 400, valor mais alto registrado desde julho de 2016. Naquele ano, o produto subiu 39% e os preços passaram de R$ 10.

“A situação é grave. Não temos feijão suficiente para atender à demanda”, afirma Marcelo Lüders, presidente do Ibrafe (Instituto Brasileiro de Feijão e Pulses). Como só o Brasil produz a variedade, não há como importá-la.

O feijão-carioca foi um dos principais responsáveis pela alta de 0,32% no IPCA (inflação oficial, medida pelo IBGE) de janeiro. No primeiro mês do ano, o produto teve alta de 18,35%, na comparação com dezembro de 2018.

Pelo Índice de Custo de Vida do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), só na capital paulista, o aumento médio do produto foi de 28,71% no primeiro mês do ano e de 32,06% no acumulado em 12 meses.

“Já se começa a sentir os efeitos da safra”, explica Thiago Berka, economista da Apas (Associação Paulista de Supermercados). Na avaliação do especialista, porém, como o reajuste está ocorrendo após baixas seguidas, estamos longe do patamar de 2016 e os preços salgados que os consumidores já estão encontrando não se justificam. “Não é para tanto. O preço médio, no estado, foi R$ 4,23 em janeiro”, afirma.

De acordo com o presidente do Ibrafe, os aumentos devem continuar até o mês de abril, quando entra a segunda safra. A dica agora é optar pelo feijão-fradinho, já que o feijão-preto também deve ficar mais caro.

Produto pressiona cesta básica

O feijão-carioca foi o principal responsável por pressionar a alta da cesta básica na cidade de São Paulo, de acordo com pesquisa de preços feita pelo Procon-SP em parceria com o Diesse (departamento de estatísticas).

A cesta subiu 1,35% entre 8 e 14 de fevereiro. O preço médio, que no dia 7 estava em R$ 705,82, passou para R$ 715,34, em 14 de fevereiro. Segundo o levantamento, o quilo do feijão-carioca subiu 22,47% na semana e foi o maior aumento da cesta básica. As outras altas foram da batata, com elevação de 6,65%, da dúzia de ovos (+3,71%), do presunto fatiado (+3,53%) e do pote de 250 g de margarina (+2,83%). Só o setor de alimentação subiu 1,65%. Limpeza caiu 1,05% e higiene não variou.

Nos supermercados, o feijão-carioca foi um dos itens que fez a inflação subir em janeiro, segundo dados da Apas (Associação Paulista de Supermercados). Ante dezembro, a alta de preços no setor foi de 1,01%.
De acordo com a pesquisa, o valor do feijão subiu 16% só em janeiro. Se for considerado também o de dezembro, que foi de 11%, a evolução nos últimos 12 meses chegou a 19% de aumento.

“Vale destacar que, até o final do mês passado, havia deflação de 3% no preço do feijão nos últimos 12 meses. Como é um produto culturalmente de difícil substituição ao brasileiro e, para muitas famílias, um alimento padrão e indispensável, fica muito difícil cortar ou diminuir o produto no dia a dia”, explica Thiago Berka.

Artigos relacionados
Carregar mais por - redação
Carregar mais em Entretenimento
Comentários estão fechados.

Leia também

3 pratos para aquecer o inverno

Pensando nos dias frios dessa época do ano, separamos, junto com a KitchenAid, opções de p…