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Bruno Grossi e Diego Salgado

Andre Borges/AGIF

Por trás da felicidade incontida pelo primeiro gol como profissional há uma história de incerteza, saudade, luta e resiliência. Foi por meio desses elementos que o jovem Jonas Toró foi alçado ao time principal do São Paulo para realizar um sonho. Logo no primeiro jogo como titular, o atacante foi às redes na vitória por 2 a 1 sobre o Goiás e escreveu mais um capítulo da sua trajetória no esporte.

Aos 19 anos, Toró experimenta dias de sonhos, que foram idealizados, sobretudo, em épocas em que a saudade castigava. A tal ponto de fazê-lo desistir. Em três oportunidades a dor da distância falou mais alto que a vontade de jogar futebol.

Nascido em Belém de São Francisco, cidade pernambucana localizada a 475 quilômetros de Recife, Toró decidiu voltar para casa depois de chances no Vitória, no Porto, de Caruaru, e no ASA, de Arapiraca. Tudo por causa da saudade dos pais, do irmão e da irmã – ambos mais velhos. “Eu saí [de casa] com 15 anos, para o Vitória. Foi o pior momento para mim, porque nunca tinha saído de casa. Fiquei com saudade, não conhecia muita gente. Foi difícil, mas me deu experiência. Às vezes não há muitas oportunidades. Às vezes é só uma. E quando você perde, fica com aquilo na cabeça: será que vai ter outra?”, contou o jovem atleta são-paulino.

A falta de recursos da cidade e o isolamento em relação às principais cidades do estado, segundo Toró, atrapalhou os planos logo no início da vida de atleta, quando Toró arriscava chutes no futsal, seguindo os passos do pai, que trabalhava como pedreiro e também atuava em times amadores. “Foram muitas dificuldades no começo, que é normal. Minha infância foi difícil, porque não havia muita oportunidade de jogar. As pessoas acham que é impossível por causa da distância da capital. A cidade é muito pequena, não tinha muita verba, não tem apoio, disse.

Já no Vitória, a distância da família influía até mesmo no rendimento nos treinos. “Eu pensava se era aquilo mesmo que eu queria da minha vida. De aceitar ficar longe de tudo. Fiquei um mês, bateu saudade e voltei para casa. Eu achava que não dava. No momento que voltei para casa repensei naquilo que queria para minha vida”, ressaltou. No Porto, Toró foi reprovado na avaliação e novamente voltou para a casa dos pais. Àquela altura, as duas chances desperdiçadas já pesavam e geravam dúvidas no adolescente, que se preocupava com a reação das pessoas que dele esperavam voos maiores.

A troca pelo futsal criou um atalho

Alex Silva/Estadão Conteúdo

Meses depois, Toró conseguiu ser aprovado no ASA. Em Arapiraca, o atacante dormia na casa do treinador. Apesar do bom desempenho em campo, dois fatores fizeram o jovem voltar para Belém de São Francisco pela terceira vez: a saudade e a chance de jogar futsal com amigos de infância – mal sabia ele que aquele retorno seria imprescindível para a carreira enfim decolar.

De volta a Pernambuco, Toró conheceu uma pessoa durante os jogos de futsal. Ele a levou para a Aldeia Pankararu, na cidade de Jatobá, onde o atacante são-paulino passou a jogar futebol amador. “Ele me viu e me chamou para fazer uma peneira no campo. Consegui me destacar muito lá. Tinha um olheiro lá que me viu e me trouxe para São Paulo”, afirmou.

Ressabiado com as três experiências anteriores, Toró pensou por uma semana e decidiu embarcar rumo à cidade de Salto, no interior paulista, onde passou a defender o Comercial. Um susto, porém, quase atrapalhou os planos novamente. “Vieram oito jogadores no total. Fomos assaltados no alojamento e sete voltaram. Só eu fiquei. Foi o momento mais difícil da minha vida. Invadiram a casa, roubaram tudo. Mas pensei muito bem e não voltei. Eu estava disposto a correr atrás do que eu queria. A força de vontade prevaleceu”, ressaltou Toró.

Sete gols e mais uma chance Com a camisa do Comercial, Toró se destacou em dois jogos contra o Primavera, de Indaiatuba. Foram sete gols marcados e a chance de vestir a camisa de um clube com boa estrutura em categorias de base. O desempenho no Paulista sub-20 de 2016 e na Copa São Paulo de 2017 fez o São Paulo contratá-lo.

saopaulofc.net

No clube do Morumbi, Toró passou a ter destaque no fim da temporada 2017, com o título da Copa RS, em dezembro. No ano seguinte, foi vice-campeão e artilheiro da Copa São Paulo, além de erguer a taça da Copa do Brasil sub-20, na final contra o Corinthians. Um mês depois do título, o São Paulo comprou seus direitos econômicos, que ainda eram do Primavera. O atacante, então, passou a treinar entre os profissionais.

Toró mora no CCT da Barra Funda e ainda tem de lidar com a distância da casa dos pais – apenas o pai veio visitá-lo em São Paulo em duas ocasiões. Antes de estrear no time profissional, o atacante esteve perto de ser emprestado pela diretoria e viver mais uma experiência no futebol.

“Nós íamos emprestar o Toró essa semana para a Chapecoense e, num treino, o Cuquinha me chamou e falou: ‘Não podemos emprestar esse menino, o treino dele foi muito bom. Vamos ficar com ele’. Observamos diferente do que vínhamos observando, dando mais oportunidades”, disse o técnico Cuca após vitória sobre o Botafogo na estreia do Brasileirão, jogo em que Toró atuou por 14 minutos.

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