Avião da Azul decola de Viracopos: depósito de lixo e corpos d'água atraem pássaros e expõem operações aéreas a colisões, que podem ser graves

Leandro Ferreira/AAN

Avião da Azul decola de Viracopos: depósito de lixo e corpos d’água atraem pássaros e expõem operações aéreas a colisões, que podem ser graves

Embora as aves não voem muito alto, é bem comum haver colisões de pássaros com aeronaves. Em três quartos dos casos, tais choques ocorrem abaixo dos 150 metros de altura, quando os aviões estão nas fases iniciais de decolagem ou nas últimas fases da aterrisagem. Se o destino das aves é sempre fatal, o prejuízo às aeronaves varia conforme o impacto. No Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, por exemplo, foram registradas 65 colisões de pássaros com aeronaves no entorno do terminal em 2018, um aumento de 10% em relação a 2017.

Visando diminuir a incidência de casos deste tipo, a Concessionária Aeroportos Brasil Viracopos S/A, que administra o terminal campineiro, divulgou na última terça-feira, em reunião da Comissão de Gerenciamento do Risco da Fauna, um mapemaneto de identificação de pontos de atração de aves nas imediações do aeroporto. A área que compreende o estudo é denominada ASA (Área de Segurança Aeroportuária) e o seu raio atinge 20km a partir do centro geométrico da pista de pousos e decolagens, abrangendo 11 municípios: Campinas, Elias Fausto, Hortolândia, Indaiatuba, Itupeva, Jundiaí, Louveira, Monte Mor, Sumaré, Valinhos e Vinhedo.

Alerta

Com o levantamento, o aeroporto pretende alertar e obter o apoio dos municípios para a redução dos pontos de descarte e de acúmulo de lixo que possam atrair mais aves e, desta forma, reduzir as colisões de pássaros com aeronaves. A equipe responsável pela gestão do risco da fauna em Viracopos realizou o mapeamento por meio de uma varredura visual com imagens capturadas com um drone e fotografias de satélite ao longo do raio de 20km, a partir do centro da ASA.

Foram apontados todos os aparentes acúmulos de material (volumes de depósito de lixo) e corpos d’água. No total foram mapeados 31 pontos com potencial para atração de aves, com destaque para nove pontos de descarte recorrente de resíduos (próximos às duas cabeiras da pista de Viracopos) e dois envolvendo atividades de risco (fábrica de fertilizantes e aterro sanitário). Ainda foram verificados outros 20 pontos de “descarte potencial”.

Urubus

De acordo com a gerente do Sistema de Gerenciamento e Segurança Operacional (SGSO) de Viracopos, Rosa Brollo, é essencial que os municípios redobrem a atenção com o descarte irregular de lixo, que são focos atrativos do urubu, a maior ave da fauna existente. “Existe um grande potencial de risco para a aviação e para os próprios urubus. O choque de uma ave de 1,5kg contra um avião a 300 km/h corresponde a aproximadamente 7 toneladas de impacto”, diz.

Danos

Das 65 colisões registradas em 2018 em Viracopos, nenhuma foi grave, mas quatro geraram danos às aeronaves, sendo que duas delas foram causadas comprovadamente por impactos com urubus. Nos outros dois casos de colisão com danos, não foi possível identificar a espécie da ave.

Escrito por:

Renato Piovesan

Fonte: Correio RAC

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