Matheus Pereira/Especial para AAN

Abrigo instalado recentemente pela Administração Pública, dentro de um projeto de revitalização dos pontos que conta com padronização visual

Menos da metade dos pontos de parada de ônibus nas cinco maiores cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) são abrigos. Campinas possui pouco mais de 5 mil pontos. Desse total, cerca de 1,7 mil contam com infraestrutura para o usuário do transporte coletivo aguardar o veículo sem sofrer com as condições climáticas e, em alguns casos, com a possibilidade de repousar no assento.

Indaiatuba, por sua vez, tem 1.211 pontos, dos quais 330 tem bancos e cobertura. Das 402 paradas de embarque e desembarque de passageiros em Sumaré, apenas 81 são abrigos, sendo 37 em alvenaria e outros 44 de estrutura metálica.

Já Hortolândia dispõe de 647 pontos, sendo 136 com cobertura e assentos. Americana, por fim, tem aproximadamente 600 paragens, das quais 200 são abrigos.

Para Rodrigo Monteiro a situação fica complicada em Campinas quando chove. O estudante, de 21 anos, pega dois ônibus para ir trabalhar. No ponto do Jardim Santana, onde reside, não há abrigo. Já na paragem da Avenida Francisco Glicério, onde toma o segundo veículo até o Jardim Nova Europa para estagiar na área de Ciências da Computação, sim. “Depois que tomei chuva, passei a andar com um guarda-chuva na mochila por precaução”, conta.

Moradora da Vila Nogueira, a campineira Dagmar Regina de Oliveira, relata que não há pontos em formato abrigo no seu bairro. Além da possibilidade de ficar exposta ao calor forte e à chuva, a recepcionista de 44 anos reclama que, nas paragens que são abrigos, muitos cartazes informando as linhas de ônibus estão rasgados. Um desses pontos, até a última quinta pelo menos, era a paragem da Avenida Campos Salles, em frente do Palácio de Justiça no Centro.

Emdec

A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), autarquia responsável por gerenciar o trânsito na maior cidade da RMC, informou, em nota, que em julho passado, a Administração assinou contrato com uma concessionária que prevê o serviço de fornecimento, implantação, remoção, reposição, remanejamento, manutenção, conservação e limpeza dos abrigos.

A concessionária terá exclusividade para explorar, publicitariamente, os pontos de parada concedidos.

O projeto de concessão de abrigos de ônibus para a iniciativa privada é inovador. Ao todo, serão implantados 894 abrigos com padrão visual semelhante aos da Avenida Francisco Glicério, após o processo de revitalização.

Também será efetuada a devolução, à Emdec, de 460 abrigos metálicos. Após recuperação, esses mesmos abrigos serão reinstalados. “A concessão abrange os abrigos de ônibus num raio de 5 quilômetros da região central; e dos principais corredores estruturantes do transporte público. Os novos equipamentos públicos serão cobertos, iluminados, com assentos individuais e espaço para cadeirantes. Também com tomada USB para recarga de celular. A concessionária tem até 54 meses (seis meses de carência mais 48 meses de prazo), após a assinatura do contrato, para executar a implantação dos novos abrigos”, diz o texto.

A empresa Verssat Indústria e Construção Ltda foi a vencedora da Concorrência nº 03/2017, realizada em 11 de abril de 2018, com o maior lance, no valor de R$ 2,5 milhões. A proposta foi cinco vezes maior do que o valor de outorga mínima prevista no edital. O prazo da concessão é de 20 anos, podendo ser prorrogado por mais 10 anos.

A Emdec não se posicionou a respeito da sistemática de reposição dos cartazes vandalizados, mas destacou que Campinas conta, desde agosto de 2015, com um aplicativo chamado “Busão na Hora”. O app, disponível para o sistema Android e iOS, pode ser baixado facilmente na Google Play ou App Store, além do site da própria autarquia:

A ferramenta disponibiliza ao cidadão todas as informações necessárias sobre o transporte coletivo da cidade, mostrando os locais de pontos de embarque e desembarque, tempo de chegada do ônibus, itinerário, linhas que passam por determinado ponto, entre outras funcionalidades.

Outras cidades da RMC

A Secretaria de Mobilidade Urbana e Rural de Sumaré, também em nota, informou que “está em tratativas com empresas para que as mesmas adotem pontos cobertos e auxiliem com a manutenção das estruturas. A pasta também busca e já conquistou doações”. Além dos 81 pontos de parada cobertos, a cidade possui 258 pintados em postes de energia e 63 sem marcação, os chamados pontos sociais.

A Prefeitura de Hortolândia informou, em nota, que “busca recursos com o Ministério das Cidades e com a Agência Metropolitana de Campinas (Agencamp) para a aquisição de mais abrigos que serão implantados nos pontos de ônibus da cidade”. Americana e Indaiatuba não se pronunciaram sobre possíveis melhorias no cenário atual.

Escrito por:

Daniel de Camargo

Fonte: Correio RAC

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