Neste domingo (12), o governo federal anunciou mais um aumento no gás de cozinha, dessa vez de 3,5%. Desde 2016, o valor do produto no território nacional cresceu em 30%, foi de R$ 53 a R$ 69, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Em alguns locais, entretanto, o preço ao consumidor final chegou a superar os R$ 100.

Julia de Souza trabalha como vigilante na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo (USP), zona oeste da capital paulista, e só tem tempo de cozinhar quando chega em casa, pela noite. Apesar do consumo de sua família ser baixo – ela vive com marido e dois filhos – e ter se mantido estável nos últimos anos, ela viu a conta do gás dobrar de preço nos últimos anos.

Em resposta, ela “dá uma segurada daqui, poupa dali”, e vai sobrevivendo ao aumento cada vez maior do custo de vida.

Mas o que explica o crescimento tão abrupto no valor desse produto essencial nos domicílios brasileiros?

Para Cloviomar Pereira, técnico do Departamento Intersindical de Economia e Estatística (Dieese) e assessor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), a resposta está na política de preços implementada por Michel Temer (PMDB), em 2016.

“Desde a gestão Pedro Parente, a Petrobras adota uma política de atrelamento internacional dos preços [do petróleo] e de seus derivados. Gasolina, Diesel, e todos os outros derivados vendidos nas refinarias passaram a acompanhar os preços internacionais”, explica Pererira.

Por conta dessa medida, o preço do botijão atualmente depende não só do preço cobrado em outros países, mas também do câmbio internacional. Se o Real se desvaloriza em relação ao Euro, por exemplo, o gás fica mais caro para o consumidor brasileiro.

“Só em 2017, uma avaliação do IBGE mostrou que mais de um milhão e duzentas mil famílias trocaram o gás de cozinha por lenha, porque não conseguiram comprar o botijão.

Em 2018, 90% das pessoas internadas por queimaduras no Hospital da Restauração, em Recife, tinham trocado o gás de cozinha pelo álcool”, aponta Alexandre Finamori, técnico de operação na refinaria Gabriel Passos (MG) e representante da FUP.

Ele argumenta que o atrelamento prejudica não só o consumidor, mas também a Petrobras: “Essa política é muito prejudicial até para a empresa, que está perdendo espaço de mercado. Desde 2016 vem aumentando a importação de diesel e gasolina, o que aumenta ainda mais o preço nacional dos combustíveis”.

Pereira, do Dieese, e Finamori, da FUP, concordam que o atrelamento internacional de preços está ligado ao interesse de vender as refinarias a empresas privadas.

“Tem dois motivos: primeiro para facilitar o processo de venda das refinarias. Nenhuma empresa privada compra refinarias e vai produzir derivados [do petróleo] se o preço desse derivado não for atrelado ao mercado internacional. Segundo, para aumentar o pagamento de dividendos aos acionistas”, diz o analista do Dieese.

“Com isso, o que a gente espera é um mercado mais privado e uma maior insegurança em relação aos preços dos derivados”, conclui Pereira.

Edição: Rodrigo Chagas

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