Joel Massarioli Jr. montou uma lousa com madeira pintada e diz se sentir “muito confortável”, como se estivesse em uma sala de aula

A necessidade de ingressar com certa urgência em um mundo digital com o qual não estavam familiarizados fez muitos professores aguçarem a criatividade para dar conta do recado. As soluções nem sempre foram as mais tecnológicas possíveis, uma vez que não se transforma uma metodologia pedagógica do dia para a noite.

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Os docentes das Escolas Técnicas (Etecs) e das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) estaduais também viveram essa experiência. Cada um tentou se adaptar e encontrar seus próprios recursos. Porém, é um sentimento geral que, após a pandemia de COVID-19, a sala de aula será outra, com inovações tão positivas que vão permanecer.

“Um dos segredos para vencer o medo e a angústia diante do computador é desmistificar o processo”, ensina Franklin Portela Correia, professor das Fatecs Carapicuíba e Ipiranga, que ministrou formações para os docentes ligados ao Centro Paula Souza (CPS). Ele explica que a situação é mais simples do que parece. “Não precisa aprender a usar todas as funcionalidades. Comece pela que acha mais amigável, veja aquilo que dá certo para a sua aula e utilize. Avance passo a passo”, recomenda.

Confira, a seguir, dicas práticas de docentes das Etecs e das Fatecs, alguns já usuários de plataformas virtuais de aprendizagem e outros que ainda não tinham tido contato com essas ferramentas.

Um celular novo

Uma das ferramentas campeãs na preferência dos professores são as tarefas autocorrigidas. O coordenador do curso de graduação tecnológica de Logística da Fatec Zona Leste, João Roberto Mariellaro, conta que no começo não achava a plataforma Teams amigável. A preocupação era grande, uma vez que a maioria dos professores não tinha contato usual com tecnologia. Foi então que ele criou as Oficinas de Autocorreção, que capacitaram 100% dos docentes a usar a ferramenta de autocorreção.

Eles aderiram facilmente, relata Mariellaro, explicando que o recurso é bastante útil e otimizou o tempo do professor. Além de agilizar trabalho de correção, pode ser usada também como critério de frequência. “Aos mais receosos, eu dizia: é igual a quando você compra um celular novo. Tudo parece difícil, mas você vai mexendo e uma hora está dominando todas as funções”, lembra o coordenador.

Menos falação

Juliana Ribeiro de Lima, coordenadora e professora do curso superior de tecnologia de Eventos da Fatec Itu, logo de início percebeu que teria de replanejar as aulas que já estavam prontas para adaptar o conteúdo ao formato digital. Uma das coisas mais importantes que notou foi que seria necessário reduzir a duração da parte expositiva da aula.

“O aluno não aguenta ficar tanto tempo sentado na frente do computador, sem os amigos, muitos em situações adversas em suas casas”, ressalta Juliana. Em uma aula de duas horas, ela fala até 30 minutos, intercalando a fala com vídeos de 2 a 3 minutos. Depois abre para debate entre os alunos, por mais 30 minutos. Em seguida, passa a tarefa semanal, que eles fazem na hora.

“Não dou tarefa para depois da aula. Todos estão com as vidas muito impactadas, têm muitas coisas para fazer em casa. Nós professores precisamos facilitar, para que eles mantenham a motivação com o curso”, alerta.

Aulas remotas

Quando começaram as aulas remotas, Luis Gustavo Gabriel de Castro, professor do curso técnico de Cozinha, da Etec Santa Efigênia, na capital, sabia que, em pouco tempo, o conteúdo teórico do seu curso estaria esgotado. Ele teria que partir para a prática, dentro do possível. Esse não era o problema, pois poderia ensinar receitas simples, que cada aluno pudesse fazer sem gastar muito, em suas próprias cozinhas.

“O problema era a minha vergonha de gravar”, confessa. No entanto, o professor também admite que, depois da primeira aula online, viu que “não era um bicho de sete cabeças”. Tanto que, hoje, ele brinca: “Virei um camera man!”. Castro tirou do baú um tripé antigo, montou a câmera e testou vários ângulos, para que os jovens possam vê-lo, ao mesmo tempo em que acompanham a preparação do prato.

“Com o tempo, vai ficando natural, você fala com eles, eles falam com você. Outro dia, até um pai de aluno entrou na sala pra fazer pergunta”, revela.

Lousa original

O guarda-roupa velho estava sobrando quando Joel Massarioli Jr., professor da área de Tecnologia da Etec Prof. Idio Zucchi, de Bebedouro tirou as portas do móvel e montou um quadro branco, que usa para as aulas online, transmitidas de uma salinha nos fundos de casa. “Meus cursos envolvem muitas tabelas, representações gráficas, ilustrações. Se eu vou escrevendo no quadro físico, é mais fácil os alunos acompanharem, passo a passo, a construção desses conteúdos”, diz.

Em pé, fazendo anotações no quadro com pincel, ele se sente confortável, reproduzindo sua dinâmica na sala de aula. “Os estudantes me veem, na tela, da mesma forma como me viam na classe. E eu também vejo cada um no computador. Se eles têm dúvidas, se manifestam. Eu paro, apago, volto, faço novamente”, conta.

Um assunto por vez

Professor de cálculo financeiro e contabilidade na Etec Pedro Ferreira Alves, de Mogi Mirim, Marcos Almeida Ribeiro não é um principiante em tecnologia. Já há algum tempo ele trabalha com gravação de vídeos e até faz lives da escola, que depois edita e posta nas redes sociais. Para suas aulas remotas, ele está utilizando algumas ferramentas digitais, como formulários para atividades, lista de transmissão do WhatsApp, entre outros.

A partir de toda a sua experiência, Ribeiro tem uma dica importante para os colegas professores. “Façam aulas focadas, abordando um tema por vez. Não preparem uma exposição agrupando vários assuntos, sob o risco de o aluno dispersar a atenção”. Se você vai apresentar um vídeo, por exemplo, procure selecionar algo curto, objetivo, diretamente relacionado com o objeto de estudo, orienta o docente. No digital, diz ele, a dinâmica da aprendizagem é diferente.

Duas câmeras

O que já foi um escritório, um ateliê e um depósito, agora é um “estúdio” de gravação na casa da arquiteta Adriana de Marchi. É lá que ela grava e transmite suas aulas do curso técnico de Edificações, na Etec Doutora Ruth Cardoso, de São Vicente. A professora nunca tinha dado aula em plataforma digital. Tentando se adaptar, depois de testar ideias que não deram certo, ela encontrou uma solução eficaz.

No “estúdio”, a aula usa dois dispositivos. Um notebook exibe a sala virtual do programa Teams. E um celular preso em um pau de selfie, apoiado na prateleira, mostra o papel onde a professora desenha os projetos e objetos de estudo. “Precisei entrar na plataforma com duas contas – uma institucional e outra como convidada”, explica. Mas deu certo. “Assim, os alunos interagem comigo e, na mesma tela, veem os conteúdos que eu rabisco, com canetinhas coloridas da minha filha, que dão melhor visibilidade”, conta ela.

Vídeos curtos

Novidade para todo mundo, professores e alunos, as aulas online colocaram um desafio: como manter o processo de aprendizagem sem a “mágica” do olho no olho da sala de aula? Essa foi a pergunta que veio à cabeça de Luciana Madureira Domingues, coordenadora pedagógica e responsável pela disciplina de TCC da Etec Bartolomeu Bueno da Silva – Anhanguera, de Santana de Parnaíba, quando começou o ensino remoto.

A resposta que ela encontrou foi gravar mini vídeos, de 3 a 4 minutos, sobre os conteúdos. “Eles memorizam com mais facilidade do que lendo textos”, pontua. Em um cantinho em sua casa, com celular ou notebook, ela já fez diversas gravações resumindo documentos como memorandos, instruções sobre avaliação, objetivos para alunos. “Deu tão certo que hoje recebo encomendas”, informa Luciana, que até criou um canal no YouTube para postar o material, de livre acesso ao público.

Fonte: Governo de SP

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