Desde o início do período de estiagem, ao todo, foram registradas 48 ocorrências pela Defesa Civil e pela Secretaria de Meio Ambiente

Por Patrícia Lisboa

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Já no final abril, a Defesa Civil de Indaiatuba fez um alerta à população sobre o risco de queimadas, no período de maior estiagem que viria – entre 1º de maio e 30 de setembro – conforme publicou o Blog da Pimenta. Apesar disso, este tipo de ocorrência é registrado com frequência, o que tem piorado a qualidade do ar na cidade, já prejudicada pela baixa umidade relativa do ar. A queixa por causa da fumaça constante é generalizada.

De janeiro até esta quarta-feira (16/9), a Defesa Civil (ligada à Secretaria Municipal de Segurança Pública) atendeu 32 ocorrências e a Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente mais 16 casos, somando 48 focos de incêndio.

Mas, os números não representam o total de queimadas na cidade porque as estatísticas são feitas separadamente pelos órgãos, em vez de serem centralizadas, e o Corpo de Bombeiros ainda não informou quantas ocorrências atendeu, este ano.

As regiões do Campo Bonito, Jardim Veneza e Jardim Oliveira Camargo – que fica às margens da Rodovia Santos Dumont (SP-75) – tem sido os locais com maior incidência dos casos, neste ano.

A Defesa Civil afirma que faz o patrulhamento diário para identificar e conter os focos de incêndio. O órgão auxilia o Corpo de Bombeiros, quando necessário, e conta com a colaboração da Guarda Civil e da Secretaria de Meio Ambiente, responsável pelas autuações.

Embora haja lei municipal que proíbe as queimadas na área urbana desde 1994 e, na área rural, desde 2013, as ocorrências são comuns nesta época do ano.

Para incêndio criminoso, a multa inicial prevista na legislação municipal é de 100 Ufesps (Unidades Fiscais de Referência), que equivalem a R$ 2.761. A autuação, porém, depende de flagrante.

Além disso, as ações de prevenção, combate e fiscalização são realizadas por equipes pequenas, sendo uma da Defesa Civil e três da Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente.

Os Bombeiros também só têm uma base, em Indaiatuba.

Mas, a Administração Municipal pondera que há o apoio da Guarda Civil, que tem 303 homens treinados para a prevenção aos incêndios.

Neste ano, oito donos de terrenos baldios foram notificados pela Secretaria de Meio Ambiente por causa de queimadas nos imóveis.

ORIGEM

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora as queimadas no Brasil, afirma que quase a totalidade das ocorrências é causada por ação do homem como, limpeza de pastos, preparo de terrenos para plantios, desmatamentos, colheita manual de cana-de-açúcar, vandalismo e soltura de balões.

Com a falta de chuva, a vegetação fica seca e acaba se tornando o combustível para os incêndios. Basta uma faísca para o fogo se alastrar rapidamente.

Hoje (16/9), faz 26 dias seguidos que não chove, em Indaiatuba.

Com o tempo seco, a recomendação é para que as pessoas não joguem cigarros ou fósforos acessos às margens das avenidas, terrenos e rodovias, especialmente de carros em movimento; não soltem balões, não acendam fogueiras e também não queimem folhas secas ou lixos para limpar terrenos baldios.

No caso da limpeza de terreno, a orientação é para a pessoa carpir em vez de queimar o mato seco.

Em maio deste ano, um incêndio chamou a atenção, em Indaiatuba, porque, além de atingir uma área de preservação ambiental, no bairro Campo Bonito, uma pessoa confessou ter colocado fogo em um colchão velho, mas não conseguiu conter as labaredas, que se espalharam rapidamente para a mata. O infrator foi multado pela Prefeitura em R$ 552,20.

PREJUÍZOS

A fumaça das queimadas aumenta a poluição do meio ambiente e é outro fator prejudicial à saúde dos pulmões, em plena pandemia de covid-19, doença que também ataca o órgão vital.

O Inpe alerta que as queimadas podem causar acidentes com mortes de humanos e animais e ainda destroem a flora, empobrecem o solo, reduzem a penetração de água no subsolo, causam poluição atmosférica e males à saúde.

Como a fumaça dificulta a visibilidade, as queimadas ainda prejudicam a aviação e o transporte.

QUEIXAS

Por dias seguidos, como no último final de semana, Indaiatuba ficou tomada por fumaça de queimadas. O problema tem ocorrido principalmente à noite. A reclamação é geral porque a fumaça atinge as residências.

Mesmo com o calor dos últimos dias, muitas pessoas foram obrigadas a ficar com a casa toda fechada para evitar a entrada da fumaça, que, além do cheiro ruim, também é prejudicial à saúde.

Esse é o caso, por exemplo, de Adelisa Silva, que fez um apelo em rede social, para que “as autoridades competentes verifiquem o que está ocorrendo e apliquem as medidas cabíveis” contra as queimadas. No último domingo (13/9), ela publicou que já era mais um dia “com a casa toda fechada, apesar do calor, por causa da fumaça e o cheiro insuportável”.

Há pessoas que também reclamam da dificuldade em secar roupas, por causa da fuligem das queimadas, que ainda sujam os quintais.

QUALIDADE DO AR

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou ao Blog da Pimenta que não dispõe de estação de monitoramento da qualidade do ar, em Indaiatuba. Por isso, não há índices específicos do município. A estação automática mais próxima, segundo a estatal, encontra-se em Campinas. Mas, é sabido que as queimadas prejudicam muito a qualidade do ar.

Indaiatuba também tem sofrido com a fumaça vinda de incêndios ocorridos em cidades vizinhas, como Itupeva e Elias Fausto, especialmente o distrito de Cardeal.

E ainda há outro fator agravante com o tempo seco: a baixa umidade relativa do ar.

Enquanto o ideal para a saúde é acima dos 60%, nos últimos dias, os índices da umidade relativa do ar têm ficado em torno dos 16% – estado de alerta.

“A temperatura está muito alta (acima dos 30 graus) e a umidade do ar muito baixa. Durante o dia, com a baixa umidade, a fumaça, a poeira e a poluição não dissipam. À noite, a umidade aumenta e estas partículas dispersam, por isso, o ar fica muito ruim no período noturno”, explica o coordenador da Defesa Civil de Indaiatuba, Paulo César Feijão.

A má qualidade do ar piora problemas respiratórios. A população em geral pode apresentar ardor nos olhos, nariz e garganta, tosse seca e cansaço, segundo a Cetesb.

A Defesa Civil orienta a população a colocar toalhas molhadas nos ambientes, frestas de portas e janelas, o que ajuda a impedir que a fuligem e a poluição entrem dentro de casa.

Outra recomendação, em período de baixa umidade relativa do ar e aumento da poluição, é para que as pessoas evitem exercícios físicos, especialmente entre às 12h e 17h, e bebam bastante água, para evitar a desidratação.

O Blog da Pimenta também procurou a base do Corpo de Bombeiros, em Indaiatuba, para falar sobre as queimadas, mas ainda não obteve retorno para os questionamentos feitos há três dias.

Fonte: Blog da Pimenta

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