Uma travessia de superações antecedeu o sonho da guarda de Indaiatuba (SP) Marilsa Aparecida de Souza Accyoli Barrada, 51 anos, de ser mãe. A organização no trabalho de proteger deu lugar ao inesperado para que ela pudesse vivenciar neste domingo (9), pela segunda vez, a data mais esperada em maio na família: uma doença renal tornou-se reminiscências e a limitação do corpo, após os transplantes, ficou com traços mais leves na história após uma sobrinha do marido oferecer “barriga solidária”.

O sonho, experimentado na realidade desde junho de 2019, chegou em dobro com os nascimentos de Antonella e João, com direito a fotografias dos sorrisos e brincadeiras na piscina. A “barriga solidária” ganhou forma no corpo de Jessica Accyoli Caeth Autuori, de 26 anos. A atitude surpreendeu Marilsa, que conhece a sobrinha desde a infância e porque já era madrinha da filha dela, Manuela, de 4 anos.

“Ela se solidarizou com a nossa vontade de ter filhos”, lembra. Atualmente, ela atualmente na corregedoria geral do município.

O desejo do casal em ter filhos esbarrou, inicialmente, em um problema genético que comprometeu os rins de Marilsa aos 33 anos, após uma década de acompanhamento médico. A jornada exigiu quatro anos de hemodiálise, até que um transplante finalmente fosse realizado para aliviar a família.

Antes de virar esta página, entretanto, um novo capítulo. Marilsa recebeu orientação para usar imunossupressores, com objetivo de prevenir eventual rejeição aos novos órgãos. Para engravidar, ela teria que reduzir o nível de medicação, o que poderia comprometer o tratamento.

Ao descartar a primeira hipótese, a sogra recomendou que ela e o marido preservassem os óvulos por meio de congelamento. Marilsa conta que ela planejava ser a “barriga solidária” do casal, mas, antes que pudesse dividir o sonho, a mulher foi diagnosticada com aneurisma e morreu após uma cirurgia.

Uma resolução do Conselho Federal de Medicina diz que “barriga solidário” deve fazer parte da família de um dos parceiros em parentesco consanguíneo até quarto grau, enquanto outros casos estão sujeitos à autorização. A prática no Brasil em troca de benefícios financeiros é proibida.

Planejamento do sonho

Marilsa é parte de uma família de seis irmãos, e a única mulher do grupo também não pode ajudar em virtude de problemas de saúde. Após um acompanhamento psicológico para garantir a tranquilidade do casal e de Jessica durante o processo, as tentativas de inseminação começaram a ser feitas.

Segundo a guarda, as estatísticas frias também precisaram ser vencidas na trajetória: a chance de sucesso era de 50%, mas os óvulos resistiram. “Quando eles [filhos] entenderem, eu vou contar a história para eles. Eles têm que saber que nasceram da barriga da prima”, destaca ao admitir preocupação em detalhar os percalços e prestar homenagem para quem contribuiu com o sonho.

A guarda ainda destaca a relação harmoniosa com Jessica, que visita a família com a filha. De acordo com Marilsa, durante nove meses ela precisou explicar para Manuela que carregava os primos na “barriga solidária”, em vez de irmãos. “Já éramos unidos e a proximidade aumentou”, diz emocionada.

A chegada dos gêmeos também ocorreu no momento em que a família se deparou com outra perda: o pai de Marilsa morreu no dia seguinte aos nascimentos das crianças. “Deus colocou eles na minha vida no momento certo. Preencheu o vazio, porque eu senti muita falta do meu pai”, lembra.

Para ela, celebrar o Dia das Mães é uma experiência única.” Todo mundo fala que a gente só conhece o verdadeiro amor quando vira mãe e é verdade. É um amor infinito.”

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