A Operação Narcos, deflagrada na manhã desta quinta-feira (13), pela Polícia Federal, desarticulou um esquema de transporte aéreo clandestino de drogas vindas da Bolívia, coordenado a partir de criminosos em Santa Catarina. As investigações indicam que pelo menos duas pistas de pouso tenham sido usadas pelo grupo no Estado, em Porto Belo e Brusque.

A cocaína chegava em voos que não passavam pelo controle oficial da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Um desses casos ocorreu em novembro do ano passado, quando um avião que partiu de um aeródromo entre Porto Belo e Itapema fez um pouso forçado no interior de São Paulo, na cidade de Elias Fausto. A aeronave carregava 30 quilos de pasta base de cocaína.

O piloto conseguiu fugir. Identificado como um empresário da cidade Presidente Getúlio, no Vale do Itajaí, acabou preso em dezembro, em uma operação do Grupo de Operações Especiais de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Além de SC, a organização criminosa usou aeródromos no Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará e Amazonas.

Um ano de investigação

As investigações da Polícia Federal já duravam cerca de um ano. Foi justamente uma denúncia de movimentação incomum de aeronaves que levou os policiais a apurarem o esquema, que se estendeu por todo o país. O delegado Nelson Luiz Napp, responsáveis pelas investigações, explicou que a quadrilha trazia carregamentos de cocaína que podiam chegar a 450 quilos em cada aeronave.

Os aviões pousavam em diversos pontos no país, onde era feita a distribuição da droga. Uma parte dos carregamentos tinha destino certo: os portos – inclusive os de Santa Catarina, onde a cocaína viajava, a bordo de navios, para abastecer a Europa.

Ao longo da apuração, com apoio de outras unidades da PF, foram apreendidas duas toneladas de cocaína e 12 aeronaves.

Nesta quinta, três aviões foram apreendidos na Bahia, nas cidades de Feira de Santana, Barreiras e Caravelas.

Vida de alto padrão

Os 17 mandados de prisão, e 24 de busca e apreensão, foram emitidos pelo juízo da 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Itajaí, sob acompanhamento do Ministério Público Federal (MPF). Em Santa Catarina foram sete mandados de prisão, cumpridos em Balneário Camboriú, Bombinhas, Florianópolis, Itapema e Porto Belo.

A Justiça determinou o sequestro de 19 automóveis e oito imóveis – entre eles, apartamentos de luxo no Litoral de Santa Catarina. Segundo a polícia, os investigados tinham uma vida de alto padrão na região, frequentando festas e usando embarcações de lazer – o que não condizia com os ganhos obtidos de forma lícita pelos membros do grupo. Para manter o sigilo das investigações, a PF não informou que tipo de atividade eles mantinham formalmente.

Entre os presos, pelo menos dois são pilotos de pequenos aviões. A polícia suspeita que eles tenham buscado a documentação que autoriza pilotar as aeronaves quando já faziam parte da quadrilha.

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