Estamos a dez dias do início do Mundial de Ginástica Artística de Doha, no Catar. Há dois mundiais seguidos, Montreal (2017) e Glasgow (2015), o Brasil não ganha medalhas. Dessa vez, a história pode mudar. 
As expectativas para o time brasileiro são boas. Aliás, não podia ser diferente. Essa geração teve bons resultados nos jogos do Rio, em 2016, angariando três medalhas: prata nas argolas com Arthur Zanetti, prata e bronze no solo com, respectivamente, Diego Hypólito e Arthur Nory. 
Além das medalhas, algumas finais olímpicas. No masculino, 6º lugar por equipes, 9º e 17º no individual geral com Sérgio Sasaki e Nory, 5º Lugar na barra fixa para Francisco Barreto. Por sua vez, as meninas foram 8º por equipes. No individual geral, Rebeca Andrade se classificou com a 3º maior pontuação, acabou ficando em 11º após algumas falhas. Flávia Saraiva foi à final na trave com a 3ª maior nota, mas acabou com o 5º lugar, repetindo a melhor colocação de uma ginasta brasileira em Olimpíada, marca que divide com Daiane dos Santos (Solo – Atenas/2004). Há, portanto, potencial e, dos citados, somente Sasaki não irá para o mundial.
Sem mais delongas. Vamos ao que interessa: a trajetória do Brasil em campeonatos mundiais de ginástica. 
O Campeonato Mundial de Ginástica Artística é disputado desde 1903, quando a Antuérpia, na Bélgica, sediou a competição. Em Doha, será celebrada sua 48º edição. A primeira participação do Brasil, no entanto, só iria acontecer tardiamente, a partir da 28º edição, em 1974, no mundial de Varna (BUL). Foi o pontapé inicial da nossa história em mundiais. 
Desde aquele evento, vários ginastas representaram o Brasil, mas não obtivemos resultados expressivos em mundiais. Nem mesmo Luísa Parente, a primeira medalhista pan-americana do país na ginástica artística e, até hoje, a única ginasta (no feminino) a ganhar dois ouros em uma mesma edição (Havana, 1991).
Somente no fim do século passado que os bons resultados começaram a surgir e a ginástica artística ganhou vigor no Brasil. No mundial de Tianjin (CHN) em 1999, por exemplo, a equipe feminina encerrou a competição em 17º lugar, resultado que carimbou o passaporte para nossa primeira Olimpíada por equipes, em Sidney/2000.
O bom resultado em Tianjin se transformou em medalha no mundial de 2001 em Gent (BEL) (os mundiais de ginástica não são disputados em anos olímpicos). Sem alardes, a jovem Daniele Hypólito, então com 17 anos, no solo, obteve a nota de 9,487 (na época o sistema de notas era diferente e atingia o pico máximo de 10,000), conquistando a medalha de prata, primeira do país em mundiais da categoria. No mesmo aparelho, Daiane dos Santos ficou em quinto lugar. Naquela ocasião, por pouco Daniele não conseguiu trazer outra medalha. No individual geral, ela ficou em um histórico quarto lugar, por absurdos 0,044 pontos de distância da medalhista de bronze, a romena Andreea Raducan (que foi ouro no solo, diga-se).
No mundial de 2002, na cidade de Debrecen (HUN), outro Hypólito surgiu. Embora sem medalhas, o Brasil trouxe as melhores colocações, até aquela altura, na ginástica masculina, com Diego: quinto lugar no solo (9.575) -0.100 da medalha de bronze, enquanto sua irmã não repetiu a campanha no ano anterior, ficando, no mesmo aparelho, com a quinta colocação.
Em Anaheim (USA) em 2003, um dos grandes momentos da ginástica brasileira, senão o maior. Daiane dos Santos se tornava campeã mundial no solo. Com a nota de 9,737, subiu ao lugar mais alto do pódio para buscar o merecido ouro. A medalha , ao contrário do que muitos pensam, não veio ao som de “Brasileirinho”. Foi ao som de “Rumba para los Rumberos”, música que embalou Daiane e seu duplo twist para conquistar o título mundial, o primeiro da história da ginástica brasileira, um divisor de águas. Menção honrosa para Diego Hypólito que melhorou seu desempenho, sendo quarto lugar no solo (9,662) e sétimo no salto (9,387). A equipe feminina chegou à final inédita, encerrando sua participação em oitavo.
Dois anos depois, em 2005, Melbourne (AUS) foi escolhida para sediar o mundial. Nossa terceira medalha foi conquistada e mais uma vez no solo. Diego Hypólito, confirmando sua notória ascensão, tirou a nota de 9,675 e não foi superado por seus adversários. Primeira medalha da ginástica masculina. Daiane dos Santos foi para final defender seu título, agora, sim, com o popular “Brasileirinho”, mas, infelizmente, uma queda no início comprometeu a apresentação, fazendo-a ficar com o 7º lugar. No individual geral, Dani Hypólito terminou em 9º. No masculino, Mosiah Rodrigues foi 23º, o primeiro a alcançar uma final do individual geral.
Defendendo o título no solo, Diego Hypólito foi confiante para Aarhus (DEN) em 2006. Esse mundial foi marcado pela mudança nas regras de pontuação, que passou a somar a nota da execução com uma nota de dificuldade e, por isso, rompe-se a barreira dos dez pontos com frequência. O brasileiro foi batido por um dos seus maiores rivais, o romeno Marian Dragulescu. Com a nota de 16,150, conseguiu trazer a prata. No salto, mais uma vez bateu na trave, ficando em quinto. Entre as mulheres, embora não tenhamos trazido medalhas, vale menção à querida Laís Souza, que ficou em quarto lugar no salto, a apenas 0,113 do bronze. Laís ainda seria 8º no solo, atrás de Daiane dos Santos, que amargou um quarto lugar no aparelho por 0,025. A equipe feminina foi muito bem, chegando à final e terminando a competição em sétimo.
Vamos pra 2007, em Stuttgart (GER). Diego Hypólito retomou o posto de campeão do solo. Repetir a nota do mundial passado foi suficiente: 16,150. Terceira medalha em mundiais. Aqui despontava também uma grande promessa brasileira: Jade Barbosa. A menina de 17 anos fez história. Conquistou a inédita medalha no individual geral, que não tinha vindo com Dani Hypólito. Jade era a terceira ginasta mais completa do mundo e trouxe o bronze para o Brasil. A menina prodígio ainda foi a duas finais, ficando em quinto no salto e sétimo na trave, ajudando também à equipe, que teve seu melhor desempenho até hoje: quinto lugar.
O campeonato mundial de Londres, no ano de 2009, deixou a desejar. Diego Hypólito já sofria com frequentes lesões e sequer foi à final. Deu adeus à competição no 9º lugar. Porém, nem tudo foi um desastre. Surgia, nesse palco, Arthur Zanetti, indo a sua primeira final nas argolas, terminando em 8º lugar. Sérgio Sasaki conseguiu sua primeira final, no individual geral, angariando a derradeira posição, o 24º lugar. As mulheres contaram apenas com as ginastas Bruna Leal e Ethiene Franco. Bruna foi à final no individual geral e após as rotações, ficou em 14º.
Roterdã (NED), 2010. A ginástica masculina foi mal e não pegou nenhuma final. A feminina, embora tenha ficado de fora da final na disputa de equipes após algumas participações consecutivas, trouxe a nossa última medalha (feminina). Novamente ela: Jade Barbosa. medalha de bronze no salto. Jade é outra ginasta que convive com frequentes e graves lesões. No individual geral, 18º para a sempre constante Daniele Hypólito e 20º para a própria Jade Barbosa.
Tóquio (JPN) 2011. Diego (Fênix) Hypólito volta ao pódio em mundiais. Sua quarta medalha. A nota 15,466 lhe rendeu o bronze no solo. E não estava sozinho. Arthur Zanetti surpreendeu trazendo a medalha de prata com um belo 15,600 nas argolas. No feminino, sempre ela, Daniele Hypólito, foi para mais uma final do individual geral, concluindo a competição em 28º. Jade Barbosa foi à final do salto, mas por 0,100 deixou escapar o bronze. 4º lugar pra ela. 
Em 2013, a Bélgica voltou a sediar um mundial de ginástica, agora em Antuérpia. E o Brasil brilhou mais uma vez em terras belgas. Arthur Zanetti levou o nome do país ao lugar mais alto do pódio, ganhando o ouro nas argolas, após uma performance impecável. Destaque para Sérgio Sasaki, 6º lugar no individual geral, melhor resultado entre os homens, e Arthur Nory, em 18º. Diego Hypólito voltou a final do solo, classificou-se em segundo, porém, na final, nosso bicampeão acabou com a 5º colocação. Na final da prova do salto tivemos dois brasileiros. Sérgio Sasaki e Diego Hypólito ficaram em 5º e 6º lugares. Dessa vez, foram as mulheres que não estiveram em nenhuma final.
Naanning (CHN) 2014. A China voltou a receber a ginástica mundial e levou o Brasil ao Pódio. Arthur Zanetti, que defendia o título mundial, levou a prata nas argolas. Após se classificar para a final em quarto, melhorou a execução da série e garantiu o pódio. Diego Hypólito, rei do solo, trouxe mais um bronze, sua quinta medalha. A ginástica masculina também conseguia um feito: primeira final por equipes. 7º lugar para os brasileiros. No individual geral, Sasaki ficou com a 18º posição, enquanto Arthur Nory foi 25º. Sasaki ainda foi para a final do salto, acabando em 8º. Para as meninas, com time completo, o mundial foi bem ruim. Nenhuma final. Nem mesmo no individual geral. 
Em Glasgow (GBR) 2015, a bandeira do Brasil, após anos ininterruptos, não tremulou. Não significa que não tivemos bons resultados. Arthur Nory teve seu melhor desempenho. Final inédita para o Brasil, a barra fixa, em que Nory ficou em 4º lugar. No individual geral, o ginasta acabou em 13º, sendo acompanhado por Lucas Bitencourt, que terminou em 20º. As mulheres, com um time bastante renovado, voltaram a figurar em finais, Lorrane Oliveira ficou em 18º e Flávia Saraiva em 24º no individual geral. O time masculino ainda foi 8º por equipes.
Nossa última e mais recente parada foi Montreal, no Canadá, ano passado. Pelo segundo mundial seguido, saímos zerados, somente com algumas finais. Individual geral masculino teve Caio Souza em 15º. Arthur Zanetti voltou às finais das argolas, mas figurou apenas em 7º lugar. Entre as mulheres, Thaís Fidelis foi a 24º na final do individual geral e surpreendeu com um belo 4º lugar no solo. 
Ufa! Contaram? Depois de tanta história, esse é o nosso desempenho: Quatro ouros, quatro pratas e quatro bronzes. No quadro de medalhas histórico, o Brasil ocupa um tímido 26º lugar. Temos potencial para muito mais e esperamos ter histórias incríveis do mundial de Doha.
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FOTO: RicardoBufolin/CBG 

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