Homem afirma que pai da jovem teria induzido o parto prematuro e a entrega da criança à mulher desconhecida em São Vicente, no litoral de São Paulo.

Uma jovem de 17 anos afirma ter sido obrigada pelo próprio pai a dar à luz em uma clínica clandestina em São Vicente, no litoral de São Paulo, e entregar a filha para uma desconhecida. Segundo ela, o parto foi induzido pelo avô da criança, que teria convencido ela a entregar a bebê recém-nascida para outra pessoa. O marido, que estava viajando, descobriu apenas nesta semana que a esposa não estava mais gestante e que a criança já havia nascido.

De acordo com o marido da jovem e pai da criança, que é motorista de caminhão e prefere não se identificar, o avô acompanhou todo o pré-natal, já que muitas vezes ele estava ausente por conta da profissão. Em entrevista ao G1 nesta sexta-feira (18), ele explicou como tudo aconteceu. “Ele era bem preocupado e presente. Acompanhava ela em todas as consultas médicas e sempre dizia que a criança não estava bem”, diz o motorista.

Também em contato com o G1, a jovem, mãe da criança, explicou que o próprio pai deu orientações durante toda a gravidez para que ela escondesse a barriga com cintas e roupas largas, para que não chamasse atenção dos amigos e dos vizinhos que poderiam reparar na gestação. “Ele dizia que, se houvesse complicações e meu filho morresse, eu não teria que explicar para muitas pessoas o que realmente havia acontecido”, conta.

Em setembro, com sete meses de gestação, o pai a levou até uma clínica clandestina em São Vicente. “Ele me convenceu a fazer o parto naquela mesma hora. Fiquei sabendo no dia, mas ainda não sabia que ele queria dar a minha filha”, afirma. Ela relata que lá foi colocada para tomar soro e ingeriu um comprimido. “Depois, começaram a fazer massagem na minha barriga, forçando o parto. Depois de três horas a minha filha nasceu”, conta.

A jovem amamentou a filha e ficou com ela até à noite, quando ela e o pai voltaram para a casa dele com a criança no colo. Uma mulher desconhecida esperava os três, e a jovem conta que foi induzida a entregar sua filha para a estranha. “Meu pai dizia que seria o melhor pra nós duas, porque sou jovem demais. Ele me prometeu que a mulher devolveria a minha filha depois de quatro meses”. Nesse dia, o marido da jovem estava viajando e não sabia do acontecido.

Sem saber que sua esposa já havia parido e entregado a criança para uma outra mulher, o marido continuou acreditando na gestação até a última quarta-feira (16), quando o pai da jovem decidiu fazer um falso parto para encerrar a gravidez e justificar a situação. “Eu estava no trabalho e ele me mandou uma foto da minha suposta filha”, diz.

Enquanto ele se dirigia ao hospital, a esposa começou a dar desculpas para não receber a visita do rapaz. “Ela começou a discutir comigo sem motivos, disse que eu nunca mais veria nem ela, nem a minha filha. Não entendi e desconfiei. Foi quando perguntei à minha cunhada se eles estavam mesmo no hospital. Para a minha surpresa, ela estava em casa”.

Após confrontar o sogro sobre a confusão, ele finalmente descobriu a verdadeira situação. “Ele admitiu tudo. Me contou como aconteceu e disse que não se arrepende de ter dado a criança. Ele não quer dizer onde está a minha filha e afirma que a única coisa que sabe é que ela foi levada para Registro, na região do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo. Quero a minha filha de volta. Não sei se ela está bem”, reclama.

O marido afirma não ter certeza sobre a motivação de seu sogro. “Pensei que ele era nosso amigo, dizia estar feliz por ser avô. Não sei qual é a razão de ter feito isso, mas quero minha filha de volta”. O G1 tentou entrar em contato com o avô da criança para esclarecer a situação mas, até o fechamento desta reportagem, não houve retorno.

A jovem relata ainda que, desde o momento em que entregou a criança, se arrepende da decisão. “Choro todos os dias. A última vez que a vi foi na segunda-feira (14), por uma videoconferência que o meu pai fez com a mulher que pegou a minha filha”, conta.

De acordo com informações da polícia, o caso foi registrado na Delegacia da Mulher de São Vicente, por onde é investigado. A polícia recebeu informações sobre a localização exata da clínica clandestina e já está colhendo depoimentos e informações que levem ao paradeiro da mulher que levou a criança. Até o momento o avô da gestante não foi localizado.

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